
Huasipichay é um projeto que investiga possibilidades de curadoria autogestionadas e colaborativas. Foca também sobre o intercâmbio cultural entre países da América Latina através de residências que acontecem nas casas ou locais de trabalho dos artistas participantes. Em sua primeira edição, congregou artistas do Brasil e do Equador, numa mostra ocorrida na Galeria Virgílio, em São Paulo. Os trabalhos aqui mostrados participaram desta mostra.

ESTRATÉGIA
O pensamento vai na frente e o raciocínio vai atrás, como um caçador interpretando os sinais deixados por sua presa. Pegadas. Não conhecemos o pensamento. O raciocínio é um caçador que se especializou em detectar rumos e condições em sinais e pegadas deixados para trás pelo pensamento. Se alguma vez o raciocínio alcançasse o pensamento, talvez se transformaria nele e nós voltaríamos a ter contato pleno com o tempo presente e todos os dados e informações que ele traz. o raciocínio é um caçador preso no labirinto de uma infinita caça, cujo objetivo é apenas seguir, pois se a caça for eventualmente encontrada e confrontada, quem é abatido é o caçador e todo seu mundo de atemporalidade.


A SOLIDÃO
A beleza da solidão é a possível parceria consigo mesmo ou com um tempo em que possamos estar de acordo com algo mais- um dia a dia significativo.A significância de pequenos momentos que se somam estabelecendo um todo com sentido maior. Não sou uma estrela. Meteoro talvez fosse melhor metáfora. O atrito com a realidade me acende em brasa e me desgasta ao mesmo tempo, tornando-me efêmero numa beleza ambígua de destruição e construção- ou a força motriz do meteoro talvez seja o sacrifício em sí, a vontade de se desfazer, de se despedaçar num rastro luminoso. Faço um desejo na hora da queda. Um desejo na hora da consumação. Desejo de fogo. O meteoro é um desejo é um caminho, uma trajetória. A solidão do meteoro em sua trajetória acende a esperança de poder se diluir em algo, compartilhar seu peso em luz, enquanto uma pedra sente, enquanto uma pedra fala, enquanto uma pedra aponta rumos e indica caminhos. No futuro eu possa ser uma pedra falante, uma pedra que deixe de ser pedra para transformar-seem réstia. Umapedra líder, de certa forma, pelo menos para si mesma. Mas a pedra, enquanto orbita em outras esferas menos atritantes, menos atmosféricas, vive como segredo fugaz, como mistério em velocidade infinita, ignorante do que carrega; é uma existência inexistente?
Uma pedra do deserto não é meteoro, ou talvez seja o resto de um meteoro, segredo não revelado, mudez de pedra, ou a parte que falta no discurso do rastro. Longe de julgamento de valores, a pedra existe e carrega seu monólogo. Falta o choque com a atmosfera, a velocidade no espaço vazio- inércia paradoxalmente menos inerte para uma pedra. A velocidade, o calor, o despedaçamento são a ação da pedra, sua linguagem, seu olho, a palavra da pedra. a luz pedra, a identidade pedra.
Não sou uma estrela. sou meteoro. Sou velocidade e fogo e pedaços, estilhaços que se perdem no tempo de um raio fugaz.




