cartas a un futuro incierto

vista das cartas na coletiva huasipichay- cuenca- EC

Este projeto teve inicio durante a residência/exposição do projeto Huasipichay/ Cuarto Aparte em Cuenca, em Novembro de 2011. O primeiro trajeto postal realizado foi entre Quito e São Paulo. Novos trajetos somarão informação às cartas, que funcionam como uma espécie de registro livre dos locais de onde são emitidas.

temas pendientes, 2011- colagem e relevo de papel

contemporâneo-eterno

Contemporâneo- eterno é um projeto que se propõe como um panorama de investigação poética da relação do ser humano com o tempo- permanência e efemeridade. Como porta de entrada nessa investigação, utiliza a ponte de relação do ser humano com o tempo: o espaço e a matéria que se projeta e se desgasta no atrito entre essas duas dimensões ( tempo e espaço). Com este fim, compila referências, registros e materiais de diversas qualidades, coletados durante deslocamentos em diferentes regiões do mundo, para depois entretecer com eles um discurso mutável, como a investigação que o faz nascer: Contemporâneo- eterno é um projeto em (constante) construção, cujo objetivo é formar o que poderia se chamar “a cosmovisão de um viajante”.

Sinalizador, 2011_ biruta de vento com inscrição_ 200 x 170cm

 

este projeto participou da mostra

Sobrevivente

Huasipichay é um projeto que investiga possibilidades de curadoria autogestionadas e colaborativas. Foca também sobre o intercâmbio cultural entre países da América Latina através de residências que acontecem nas casas ou locais de trabalho dos artistas participantes. Em sua primeira edição, congregou artistas do Brasil e do Equador, numa mostra ocorrida na Galeria Virgílio, em São Paulo. Os trabalhos aqui mostrados participaram desta mostra.

ESTRATÉGIA

O pensamento vai na frente e o raciocínio vai atrás, como um caçador interpretando os sinais deixados por sua presa. Pegadas. Não conhecemos o pensamento. O raciocínio é um caçador que se especializou em detectar rumos e condições em sinais e pegadas deixados para trás pelo pensamento. Se alguma vez o raciocínio alcançasse o pensamento, talvez se transformaria nele e nós voltaríamos a ter contato pleno com o tempo presente e todos os dados e informações que ele traz. o raciocínio é um caçador preso no labirinto de uma infinita caça, cujo objetivo é apenas seguir, pois se a caça for eventualmente encontrada e confrontada, quem é abatido é o caçador e todo seu mundo de atemporalidade.

A SOLIDÃO

A beleza da solidão é a possível parceria consigo mesmo ou com um tempo em que possamos estar de acordo com algo mais- um dia a dia significativo.A significância de pequenos momentos que se somam estabelecendo um todo com sentido maior. Não sou uma estrela. Meteoro talvez fosse melhor metáfora. O atrito com a realidade me acende em brasa e me desgasta ao mesmo tempo, tornando-me efêmero numa beleza ambígua de destruição e construção- ou a força motriz do meteoro talvez seja o sacrifício em sí, a vontade de se desfazer, de se despedaçar num rastro luminoso. Faço um desejo na hora da queda. Um desejo na hora da consumação. Desejo de fogo. O meteoro é um desejo é um caminho, uma trajetória. A solidão do meteoro em sua trajetória acende a esperança de poder se diluir em algo, compartilhar seu peso em luz, enquanto uma pedra sente, enquanto uma pedra fala, enquanto uma pedra aponta rumos e indica caminhos. No futuro eu possa ser uma pedra falante, uma pedra que deixe de ser pedra para transformar-seem réstia. Umapedra líder, de certa forma, pelo menos para si mesma. Mas a pedra, enquanto orbita em outras esferas menos atritantes, menos atmosféricas, vive como segredo fugaz, como mistério em velocidade infinita, ignorante do que carrega; é uma existência inexistente?

Uma pedra do deserto não é meteoro, ou talvez seja o resto de um meteoro, segredo não revelado, mudez de pedra, ou a parte que falta no discurso do rastro. Longe de julgamento de valores, a pedra existe e carrega seu monólogo. Falta o choque com a atmosfera, a velocidade no espaço vazio- inércia paradoxalmente menos inerte para uma pedra. A velocidade, o calor, o despedaçamento são a ação da pedra,  sua linguagem, seu olho, a palavra da pedra. a luz pedra, a identidade pedra.

Não sou uma estrela. sou meteoro. Sou velocidade e fogo e pedaços, estilhaços que se perdem no tempo de um raio fugaz.

pó e espaço se lançando no vazio

Construção da cosmovisão de um lugar desconhecido e íntimamente familiar. A visão do imigrante. Povoar o espaço do imanente com impressões sensoriais: impressões sensoriais constroem o corpo do pensamento > a cosmovisão é construída com pensamento> o corpo é como um todo a ferramenta de percepção do pensamento> o corpo é o registro da inteligência.

A busca pelo ideal. A busca pelo sonho. A a busca pela união entre cosmovisão e fatos consolidados. A busca por coerência. A busca por um objetivo. A busca por vida em outros planetas.  A busca pela vida e seu sentido.

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Havia deserto por onde hoje piso.

Entre olhares sobre a mesa posta era vastidão:

um mensageiro no topo da rocha.

Andávamos longe sobre nossas próprias carcaças secas.

Sem tristezas.

Só o pó e o espaço se lançando no vazio.

isla/trópico

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