Trabalhos apresentados na galeria virgílio, São Paulo, 2010
Onde começa a lei, onde se termina a pedra?
As Sete Esferas de 2007 já não eram o início, porém, demonstravam que o caminho se punha aberto para que nele adentrássemos, penetrando através do cone, infinito. A figura geométrica que se mostra reincidente nos trabalhos atuais novamente se coloca de maneira convidativa e, por vezes, assume formas distintas. Se num momento se faz tátil, noutro exige atenção para seu vértice e esse resguarda o que talvez seja a verdade dos universos de Leopoldo Ponce.
Tudo em seu trabalho se prolonga e assume o seu lugar, embrenhando-se, tomando-o à força. A criação nos convida como que se impondo, numa relação atribulada de aproximação indevida, despropositada. Saltam em nossa direção buscando contato. Porém, esse processo embute uma breve leveza e se coloca numa confortável contradição.
O Mensageiro tem em sua frente um horizonte em que o artista possibilita um mergulho em pequenas pausas. Há um impedimento natural daquele que se faz ouvir. A descontinuidade dos planos subverte a ordem da paisagem e não há como escapar. É esfera, mergulho, planetas e oceanos. É a palavra.
Leopoldo Ponce chega a ela através das coisas juntadas. A matéria num processo involuntário, descabido. Explora os elementos que acumula com o decorrer do tempo – talvez refletindo sua vontade em explorá-lo à revelia. Como se detentor de tal façanha. Tolos seríamos em acreditar apenas no possível.
Materiais que ganharam vida onde antes haveria apenas o detrito, desabitado, criam paisagens prováveis. O tempo – numa inversão ousadamente escavada pelo artista – não é o senhor dos dias e o artista impetuosamente, se dispõe contra as relações tradicionais de desgaste e memória para então nos brindar com sua estética natural, fugindo do foco austero que se coloca quase sempre a frente na padronização atualizada.
A palavra de Leopoldo, vigorosamente ordenadora de seu imaginário é sinal de que sua evolução se assegura na completude do processo artístico. Essa comunicação com seu inconsciente – e esse é o mistério fabuloso que nos impele a chegarmos até ele – vai muito além de quaisquer transmissões de conceitos. Ela é reveladora de instinto, absoluta em se fazer verdadeira.
Acostumados a hierarquizar o mundo, recortando-o para tentarmos entendê-lo é a nossa limitação de fato e, talvez aí, se encontre o engano. Esforçamo-nos para desvendar aquilo que o artista assume em sua linguagem de maneira tão clara e continuamente. Como se buscássemos a praia para sabermos onde termina o mar.
A pedra, origem, mantenedora dos materiais todos fora maculada pela mão do artista para que num processo medial, se estabeleça a lei. O que há de estranho nisso? Talvez se olhássemos apenas ela entenderíamos claramente àquilo que nos parece inatingível, porém, insistimos em ver o que se coloca mais próximo. Por não entendermos o sentido do objeto inanimado não o percebemos vivo. E é exatamente aí onde começaríamos a entender que ele é a própria lei.
Renato Silva


































Tinha que ser meu mestre!
Eu piro nas ideias dele…