Trabalhos apresentados na mostra Plutão, progama de exposições CCSP, 1999
Em primeiro lugar é necessário dizer que esta frente de trabalho foi tomada como algo em oposição à frente anterior. Se naquela o espaço compositivo ( e mental ) criado pelo trabalho era dedicado à sublimação das imagens e da emocionalidade, como se fosse um portal de acesso a uma realidade plena, este novo processo de trabalho trouxe o oposto: diante de nosso olhos se abre um espaço denso, onde quase não existe o espaço vazio. Mesmo a nossa mente não pode ficar vazia, já que tudo indica que há algo a ser entendido e processado dentro daquele espaço imaterial cuja densidade atmosférica é tão palpável O que mais chama a atenção ao observar estes desenhos é o seu pretume, em primeiro lugar, só depois o olho se acostuma, como se saísse de um quarto iluminado para a noite. Então pode-se enxergar as figuras que estão embebidas numa camada densa de escuridão. Na verdade ela é o único elemento comum, que une formalmente os trabalhos em um grupo (ou série). As figuras chegam até nós através de uma densa barreira que faz com que suas referências se tornem tão obscuras quanto a superfície através da qual se expressam. O caráter processual do trabalho era principalmente o de sedimentar pigmento (nanquim), sempre tocando os limites, tanto do suporte e da tinta (absorção da tinta pelo papel, capacidade máxima de desgaste, capacidade máxima de sedimentação sem saturação visual) quanto da figura, que era enterrada sob camadas e camadas de pigmento e à vezes desenterrada através da fricção. È difícil descrever todas as técnicas que foram usadas, já que dentro desta nova frente de trabalho existia uma grande diversidade entre cada resultado, e a cada nova pintura surgia uma nova técnica. O trabalho é terminado após Ter passado através de uma árdua interação entre as partes, cada uma expandindo os limites de suas capacidades. Se este tipo de trabalho possibilita ao artista uma maior gama de possibilidades e uma leveza de critérios, ele traz consigo uma necessidade intrínseca de inventividade pragmática para cada trabalho.
O interesse maior era o de criar a possibilidade de fazer um trabalho que ativasse a imaginação sem perder o impacto totalizante. Queria tomar a direção de uma figuração que incluísse o aspecto material em sua realização. Não queria que o trabalho se tornasse alusivo, mas sim íntegro, unindo a figuração às qualidades reais da matéria através da qual ela se expressava. Estes novos objetivos eram comandados principalmente pelas leis da diversidade e da imaginação. Apesar de ter características processuais comuns, cada trabalho pedia uma nova abordagem. O caráter autoral entra em jogo, de uma maneira menos conceitual e mais diretamente inventiva. Se antes havia a conceitualização; e a padronização dos processos de trabalho guiava o artista para realizações extremamente objetivas e claras, agora os caminhos se multiplicam e ramificam em várias direções. A imaginação e a inventividade livre de propósito entram em interação e complementam o leque de possibilidades para a realização de trabalhos que são únicos, apesar de compartilharem de uma realidade comum. Existem agora uma infinidade de idéias que perseguem uma realização coerente e funcional. Isso tudo gera a consciência de uma grande possibilidade livre e criativa que se expande conforme as possibilidades que lhe são dadas em forma de disposição para experimentar.
Leopoldo Ponce, 2001













